Indicações, precauções e contraindicações: o que efetivamente impede a vacinação

quinta-feira, 10 de Setembro de 2026 - 14:08

Artigo 4 de 4 - Série Imunização do Adulto 50+ 

As publicações anteriores desta Série elaborada pelo Setor de Saúde do Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região (Maranhão) trataram da trajetória do Programa Nacional de Imunizações, dos fundamentos que justificam um calendário próprio ao adulto e das vacinas disponíveis nas redes pública e complementar. Este texto final trata do que impede a vacinação e, sobretudo, do que não a impede. 

Um breve glossário 

Para que o entendimento das orientações fique suficientemente claro, é importante entendermos o significado de três expressões que usamos ao conversar sobre imunizações. 

Contraindicação é a condição que veda a administração da vacina. São poucas, bem delimitadas e, em geral, facilmente identificáveis. 

Precaução é a condição que exige avaliação individual antes da administração, ou que recomenda seu adiamento. Não se trata de proibição, mas da necessidade de ponderar o risco da vacina contra o risco da doença. 

Equívoco corrente é a condição que a percepção popular trata como impedimento sem que ela o seja. Compreende provavelmente a maior parte das condições que levam adultos a evitar a vacinação. 

Contraindicações absolutas 

Reação anafilática prévia. Todo paciente que tenha apresentado anafilaxia comprovada a dose anterior da mesma vacina, ou a componente de sua formulação, terá novas doses contraindicadas. Anafilaxia é uma reação alérgica grave, de instalação em minutos, que cursa com queda súbita de pressão arterial (não confundir com desmaio), obstrução aguda de vias aéreas superiores (por edema de glote) ou broncoespasmo súbito (similar a uma forte crise de asma). Mal-estar, dor local intensa ou episódio de desmaio após a aplicação não configuram anafilaxia - o desmaio, em particular, é reação vasovagal, frequentemente ligada à ansiedade diante da agulha, e não guarda relação com o conteúdo da vacina. 

Imunossupressão significativa, para vacinas de vírus vivo atenuado. Algumas vacinas contêm o próprio agente causador da doença, atenuado em laboratório de modo a não produzi-la. Entre as que interessam a esta faixa etária, é o caso das vacinas contra febre amarela, tríplice viral e varicela. Em pessoas com imunidade substancialmente comprometida, esse agente atenuado pode causar doença. 

Podemos citar como exemplos de imunossupressões: imunodeficiências primárias; infecção pelo HIV; neoplasias em tratamento quimioterápico; transplante de órgãos ou de medula óssea; uso de medicamentos imunobiológicos; e uso de corticosteroide sistêmico em dose elevada por período prolongado. 

Sobre contraindicações de vacinas em imunossuprimidos, há duas observações a fazer: 

A primeira é que as vacinas inativadas - influenza, pneumocócica, hepatite B, dupla adulto, covid-19 e a atual vacina contra herpes-zóster - não são contraindicadas nesta população. Podem ser administradas a pessoas imunossuprimidas, ainda que a resposta obtida possa ser menor. 

A segunda é que a vacina contra herpes-zóster hoje recomendada não contém vírus vivo, o que a distingue de formulação mais antiga e amplia consideravelmente o universo de quem pode recebê-la. A confusão existe porque a formulação anterior, essa sim de vírus vivo atenuado, circulou por anos e formou o hábito de contraindicá-la ao paciente imunossuprimido. 

Contraindicações específicas de determinadas vacinas. A vacina contra febre amarela é contraindicada a pessoas com história de anafilaxia a ovo e a portadores de doença do timo ou submetidos a timectomia - restrições próprias dessa vacina, que não se estendem às demais. 

Precauções 

Doença aguda febril moderada a grave. Recomenda-se adiar a vacinação até a resolução do quadro, não por risco decorrente da vacina, mas para evitar que sintomas da doença em curso sejam atribuídos a ela. 


Para conhecer as demais precauções, reações e outros aspectos, e também ler o texto na íntegra, clique em Artigo 4 da Série Imunização do Adulto 50+.

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Este material tem caráter técnico-informativo e não substitui a avaliação médica individual. As recomendações de imunização dependem de idade, condições clínicas, histórico vacinal e situação epidemiológica, e devem ser examinadas caso a caso.

Os artigos desta Série são de autoria do servidor Gustavo Duarte Rodrigues, médico lotado no Setor de Saúde do TRT-16.

Perdeu os três artigos anteriores? Acesse: 
Artigo 1 da Série Imunização do Adulto 50+ 
Artigo 2 da Série Imunização do Adulto 50+
Artigo 3 da Série Imunização do Adulto 50+

 

 

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