Fundamentos da imunização do adulto: por que os 50 anos constituem um marco
Artigo 2 de 4 - Série Imunização do Adulto 50+
A publicação anterior desta Série elaborada pelo Setor de Saúde do Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região (Maranhão) tratou da história do Programa Nacional de Imunizações e do motivo pelo qual a população adulta ingressou tardiamente no calendário vacinal brasileiro.
Agora, neste segundo texto, a ideia é examinar por que existem vacinas indicadas
especificamente a partir dos 50 anos. Em suma, dois pontos, muito interligados inclusive,
justificam esse fato:
• O sistema imunológico se altera com a idade;
• Algumas doenças alteram seu comportamento em resposta a essa mudança.
A alteração da resposta imune com a idade
O sistema imunológico não se deteriora de modo uniforme com o envelhecimento. Ocorre uma reorganização.
A produção de linfócitos T novos depende do timo, órgão que atinge seu volume máximo na infância e sofre involução progressiva ao longo da vida adulta. Por volta dos 50 anos, a produção de linfócitos T ainda não comprometidos com nenhum antígeno específico (células que respondem a ameaças inéditas) já se encontra substancialmente reduzida.
Traduzindo esse fato fisiológico em consequências práticas, o que ocorre é que a memória imunológica previamente adquirida tende a se preservar (quem se recuperou de sarampo na infância, por exemplo, permanece protegido), enquanto a capacidade de montar resposta a algo novo declina de forma progressiva. Nossa imunologia então conserva o que aprendeu há tempos e passa a aprender coisas novas com crescente dificuldade.
Há ainda uma alteração qualitativa. Os anticorpos produzidos pelo adulto mais velho tendem a apresentar menor afinidade pelo alvo e a permanecer em circulação por menos tempo.
Esse conjunto de alterações recebe, na literatura médica, o nome de imunossenescência.
A esse quadro soma-se um fenômeno que, à primeira vista, parece contradizê-lo.
Com o avançar da idade, o organismo desenvolve um estado inflamatório de baixa intensidade e caráter persistente, mesmo na ausência de doença identificável. A literatura vem denominando esse estado inflammaging, expressão que combina os termos ingleses para inflamação e envelhecimento.
No inflammaging, o sistema imune se mantém em estado de ativação difusa e inespecífica, enquanto perde eficiência na resposta dirigida contra antígenos - exatamente a resposta de que uma vacina depende para produzir imunidade contra doenças.
Postula-se esse estado inflamatório crônico como um dos elos entre envelhecimento e doenças cardiovasculares, metabólicas e até neurodegenerativas, o que pode ajudar a explicar por que um episódio infeccioso agudo pode ter, no adulto mais velho, repercussões que extrapolam largamente o quadro local.
A mudança de comportamento das doenças
As alterações descritas produzem efeitos clínicos concretos e documentados.
Para conhecer esses efeitos, entender por que 50 anos e não 60, e ler o texto na íntegra, clique em Artigo 2 da Série Imunização do Adulto 50+.
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Este material tem caráter técnico-informativo e não substitui a avaliação médica individual. As recomendações de imunização dependem de idade, condições clínicas, histórico vacinal e situação epidemiológica, e devem ser examinadas caso a caso.
Os artigos desta Série são de autoria do servidor Gustavo Duarte Rodrigues, médico lotado no Setor de Saúde do TRT-16.
Perdeu o 1º artigo? Acesse: Artigo 1 da Série Imunização do Adulto 50+
